terça-feira, 15 de julho de 2008

Viagem de Trem

A vida não passa de uma viagem de trem, cheia de embarques e desembarques, alguns acidentes, agradáveis surpresas em muitos embarques e grandes tristezas em alguns desembarques.

Quando nascemos, entramos nesse magnífico trem e nos deparamos com algumas pessoas, que julgamos, estarão sempre nessa viagem conosco, nossos pais. Infelizmente isso não é verdade, em alguma estação eles descerão e nos deixarão órfãos do seu carinho, amizade e companhia insubstituível.

Isso, porém não nos impedirá que durante o percurso, pessoas que se tornarão muito especiais para nós, embarquem. Chegam nossos irmãos, amigos, filhos e amores inesquecíveis!

Muitas pessoas embarcarão nesse trem apenas a passeio, outras encontrarão no seu trajeto somente tristezas e ainda outras circularão por ele prontos a ajudar quem precise. Vários dos viajantes quando desembarcam deixam saudades eternas, outros tantos quando desocupam seu assento, ninguém nem sequer percebe.

Curioso é constatar que alguns passageiros que se tornam tão caros para nós, acomodam-se em vagões diferentes dos nossos, portanto somos obrigados a fazer esse trajeto separados deles, o que não nos impede, é claro, que possamos ir ao seu encontro. No entanto, infelizmente, jamais poderemos sentar ao seu lado, pois já haverá alguém ocupando aquele assento. Não importa, é assim a viagem, cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, despedidas, porém, jamais, retornos.

Façamos essa viagem então, da melhor maneira possível, tentando nos relacionar bem com os outros passageiros, procurando em cada um deles o que tiverem de melhor, lembrando sempre que em algum momento eles poderão fraquejar e precisaremos entender, porque provavelmente também fraquejaremos e com certeza haverá alguém que nos acudirá com seu carinho e sua atenção.

O grande mistério afinal é que nunca saberemos em qual parada desceremos, muito menos nossos companheiros de viagem, nem mesmo aquele que está sentado ao nosso lado. Eu fico pensando se quando descer desse trem sentirei saudades. Acredito que sim, me separar de muitas amizades que fiz será no mínimo doloroso, deixar meus filhos continuarem a viagem sozinhos será muito triste com certeza... mas me agarro na esperança que em algum momento estarei na estação principal e com grande emoção os verei chegar. Estarão provavelmente com uma bagagem que não possuíam quando embarcaram e o que me deixará mais feliz será ter a certeza que de alguma forma eu fui um grande colaborador para que ela tenha crescido e se tornado valiosa.

Amigos, façamos com que a nossa estada nesse trem seja tranqüila, que tenha valido a pena e que quando chegar a hora de desembarcarmos o nosso lugar vazio traga saudades e boas recordações para aqueles que prosseguirem a viagem.

Autor desconhecido

A reverência no culto e na vida

Mas o Senhor está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra; cale-se diante dele toda a terra. Habacuque 2:20

Nossa existência neste mundo está condicionada à vontade perfeita de Deus. A Ele tudo devemos, desde o aparentemente simples ato de respirar até as nossas grandes realizações, seja enquanto pessoas ou organizações.
Os crentes em Cristo alcançam privilégio ainda maior, pois abrigam em seu interior o templo do Espírito Santo. Não sabeis vós que sois santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? - I Coríntios 3:16
E nesse viver, tendo o Espírito Santo conosco, muitas vezes não nos damos conta da importância que deve ter a reverência a Deus em nossa vida. No nosso ir e vir, esquecemo-nos por vezes da Presença Divina dentro de nós.
E se necessitamos reverência pelo fato de Deus andar conosco, sem dúvida nosso culto público, no templo, deverá exigir de nós um comportamento também reverente, típico de um salvo, motivo pelo qual nos deteremos particularmente nesse ponto nesta reflexão.
É bem verdade que vivemos debaixo da Graça. O Todo-Poderoso aceita que qualquer coração contrito a Ele se achegue pela fé, através da oração. E tão grande amor tem por esse coração, que, convidado a entrar, ali faz morada por toda a eternidade. Isso no entanto não pode nos fazer perder de vista que somos criados por Deus para Louvá-lo e Exaltá-lo, e a intimidade de filhos que com ele privamos não nos dá o direito de nos portarmos de qualquer maneira, sem reverência, seja no culto público ou na vida particular.
Ao longo dos tempos, fazendo uma analogia, podemos observar que a cada dia as instituições, de uma certa forma, têm sido desvalorizadas em seus atributos de respeitabilidade e solenidade, seja por falhas de seus dirigentes ou membros, seja por descaso da sociedade. As várias cerimônias também têm tido seu brilho empanado, conseqüência de novos comportamentos, mudanças, protestos, etc. Exemplo típico são as solenidades de formatura, que atualmente mais parecem gritos de carnaval, a ponto de as mais diversas reitorias manifestarem-se apreensivas a respeito.
Lamentavelmente, muito disso tem acontecido também nas igrejas, no momento do culto público. Sem contar o flagrante desrespeito que tal comportamento demonstra em relação àquele que oficia (pastor, dirigente, equipe de louvor, etc.), denota também que os crentes esquecem-se de onde estão, ou pior, pensam que o ambiente de culto pode ser similar a uma feira.
Jesus, o próprio exemplo maior do Amor de Deus, foi extremamente radical com aqueles que faziam do templo um ambiente de feira, chegando ao ponto de expulsar todos. Pode-se argumentar que os expulsos vendiam, e os crentes de hoje apenas conversam. Mas isso é secundário, na medida em que uns e outros estão alheios ao que Cristo disse: "minha casa será chamada Casa de Oração", envolvidos que estão com outros interesses.
Precisamos nos despertar para a realidade da presença de Deus. Talvez falte a alguns essa percepção, com isso roubando do próximo que também cultua, a genuína oportunidade de glorificar ao Senhor. Existe uma grande confusão, por vezes, e que talvez seja uma das causas da irreverência no culto. É a confusão entre sensação e percepção. Quando tocamos uma superfície quente, temos a SENSAÇÃO do calor. Mas de nada adianta se não tivermos a PERCEPÇÃO. Essa sim, baseada em juízo de valor, que aquilata o real peso da sensação, ordena ao corpo que se afaste.
Um bom exemplo disso é o louvor cantado. No culto, os cânticos, as apresentações musicais especiais, etc., consideradas de per si, são por vezes notadas apenas por seu senso estético, ou apuro técnico, não levando aquele que assim procede à real percepção, ao sentido espiritual.
Continuando a exemplificar com a música, item de importância vital no culto, Charles London disse que "a música é o melhor dom de Deus ao homem, a única arte do céu dada à terra, e a única arte da terra que levaremos ao céu". Mas é necessário aprofundar-se na mensagem musicada, ouvindo a voz de Deus em cada estrofe.
Nesse sentido, o adorador precisa se cuidar na valorização de todas as partes do culto. E muito mais que isso, não valorizar mais a música do que a mensagem que a mesma transmite. Caso contrário, o ribombar da bateria e os solos da guitarra serão tão ou mais importantes que a compreensão da mensagem cantada, sendo apenas uma sensação, perdendo-se nesse caminho o conteúdo que realmente importa. Agostinho, em 394 dC, disse que "quando acontece que sou movido mais com a voz do que com as palavras que canto, confesso que peco".
Essa comparação com a música, se estendida a todos os atos de culto, inclusive o prelúdio, nos permite avaliar claramente como anda nossa reverência.
O silêncio, a reflexão, a oração, ao entrarmos no templo nos isola do exterior, na medida exata de nossa aproximação do Senhor. Muitas vezes saímos reclamando que o culto foi vazio, pouco ou nada nos aproveitando. Não será por culpa nossa mesmo, na medida em que não contribuímos para um verdadeiro ambiente de reverência e adoração?
O "calar-se" diante do Senhor implica muito mais que manter a boca fechada ou "guardar o pé". É uma disposição de mente, um alienar-se a esse mundo, buscando lenitivo diretamente na Fonte. Há um cântico cuja letra exprime bem essa idéia: "..de si mesmo se esquecer e só pensar em Cristo Rei Jesus". Se não for assim, como explicar os lindos salmos de louvor e adoração de Davi, que demonstram completa reverência?
Sofonias 1:7 diz: "Cala-te diante do Senhor Deus, porque o dia do Senhor está perto; pois o Senhor tem preparado um sacrifício, e tem santificado os seus convidados". O culto deve se revestir de solenidade e circunstância, onde livremente, mas de forma profunda possamos adorar. O convidado santificado é aquele separado para cultuar, ciente de que não apenas manter-se calado, precisa estar em comunhão, pedindo a intervenção do Espírito Santo nos corações dos perdidos, pela Mensagem da Palavra.
Atividades estranhas ao culto, como comunicar-se com alguém (seja através de que meio for), devem ser deixadas de lado, para momento mais apropriado. O vício de a todo momento consultar o relógio, a conferir o horário, ou o celular, para uma hipotética chamada ou mensagem importante a ser recebida, mostra que não estamos “calados” diante do Senhor, que é digno de todo louvor. Por conseqüência, nossa adoração resultará imperfeita, e por tabela estaremos contribuindo para que outros adoradores, no mesmo ambiente, sejam influenciados e prejudicados. Isso sem falar no prejuízo causado à pregação da Palavra. O visitante não crente não será alcançado sequer pela compreensão intelectual da mensagem, que dirá pelo convencimento do Espírito Santo, item a exigir uma maior profundidade.
Segundo o dicionário Michaelis, reverência pode ser entendida em seis tópicos que são:
1 Ação de reverenciar.
2 Respeito às coisas sagradas.
3 Movimento do corpo para saudar especialmente aos santos, o qual consiste em inclinar a cabeça e o corpo ou dobrar um pouco um ou ambos os joelhos.
4 Tratamento dado aos sacerdotes.
5 Acatamento, respeito, veneração.
6 Atenção, consideração.
O ato de reverenciar implica na ciência de que o Ser reverenciado é o próprio Deus. Nenhuma autoridade deste mundo, por mais importante que seja, merece grau tão elevado de reverência e submissão.
No concernente às coisas sagradas, que prefiro dizer, separadas, ou santificadas, incluem-se o corpo, a própria vida, a mente, a construção física do templo. Todos esses itens devem merecer nosso cuidado. Não por trazerem em si algum poder, mas por serem utilizados na glorificação ao Senhor e Pregação da Palavra.
A saudação reverente (item 3), citada pelo dicionário, nos remete a uma atitude de contrição, de coração ajoelhado na presença divina. Significa considerar que o Todo-Poderoso é infinitamente superior àquele que o adora.

O tratamento dado aos sacerdotes. Interessante esse ponto. Principalmente se considerarmos que atualmente o adorador não necessita de intermediários para chegar até o Criador. Mas necessita ter o coração lavado no sangue de Cristo, o Cordeiro Pascal. E de conseqüência, ter uma vida limpa. Mas significa também, sem dúvida, que devemos respeito e acatamento a todos os operadores do culto, desde aquele que prepara a limpeza e a decoração do templo, passando pelo dirigente, pela equipe de música, técnico de som, etc., até o pastor, que traz a mensagem.
Os itens 5 e 6 complementam nossa compreensão, a partir de sinônimos mais simples que dizem muito com nosso dia-a-dia.
A vida é um culto constante, e a celebração no templo deve refletir essa realidade. Se não há culto na vida, difícil será celebrar em público.
Que Deus nos abençoe.

Osdilson Amorim Oliveira

O cuidado de Deus

Até a vossa velhice eu sou o mesmo, e ainda até as cãs eu vos carregarei; eu vos criei, e vos levarei; sim, eu vos carregarei e vos livrarei.
Isaías 46:4

Um dos maiores males que em todos os tempos acomete a humanidade é a ignorância. Por ignorância pode-se entender a falta de conhecimento, o desperdício de informação. Tal carência leva aos mais absurdos disparates, dos quais são costumeiros protagonistas, desde o indivíduo morador do rincão distante, passando pelo habitante de nossas modernas metrópoles, até os governos dos países mais poderosos do mundo. Em nome das mais diversas causas, se mata e se morre aos milhares por minuto. E assim foi desde sempre.

E entre as muitas facetas da ignorância, causa espanto observar o quanto o ser humano é ignorante a respeito de Deus, e do cuidado que Ele tem para com os chamados "reis da Criação" - os homens e mulheres. Pode-se afirmar, inclusive biblicamente, que a ignorância que o homem demonstra de Deus é a razão de todos os outros comportamentos ignorantes.

Desde que se descobriu nu, no Jardim do Éden, ou melhor dizendo, desde que se descobriu pecador, o ser humano passou a criar por si só, sem consultar a Deus, alternativas para compensar a enorme solidão que seu ato lhe trouxe. Ele não sabia, como todos aqueles que ainda vivem nas trevas também ainda não sabem, que o Criador preparava a única saída possível: o sacrifício de seu próprio Filho, para pagar pelos pecados de todos nós.

E nessa busca desenfreada o homem tem feito de tudo, chegando a torpezas, e mesmo às raias da loucura. A história é pródiga em demonstrar isso em suas páginas sujas de sangue, muito dele inocente. Em Isaías 44, de 9 a 20, o profeta qualifica a idolatria como um sintoma claro da loucura. Um ferreiro que faz um machado; depois trabalha nas brasas e forja um ídolo. Um carpinteiro corta um cedro, que a chuva fez crescer, e com sua arte cria uma imagem, a representação de uma figura humana. Com o restante da madeira faz um fogo para cozinhar para comer e para se aquecer; ambos olham para a obra de suas mãos e dizem: “livra-me, porque tu és o meu deus”.

Parece fácil, em nossos tempos modernos,visualizar a loucura dos idólatras no texto bíblico acima. Mas por falar em modernidade, é bom salientar que nada mudou. A ignorância persiste, e há inclusive aqueles que vivem dela. As pessoas vão em busca daquele que tem "contato direto" com o alto, como se Deus precisasse de algum intérprete para nos ouvir. Há pessoas que fazem "orações poderosas" pelos suplicantes até pelo telefone celular. Outros lotam templos, ou garantem a audiência de determinados canais de TV ou emissoras de rádio, em busca de cura ou riqueza.

A Bíblia diz que o homem tem se cansado de Deus (Isaías 43:22), e na sua ignorância perdeu a referência da Misericórdia Divina. Se ensoberbece, e contende com o Criador. Esquece-se de que é um caco de barro entre outros cacos (Isaías 45:9).

O texto base desta reflexão nos traz, no entanto, alguns pontos seguros de orientação, um norte para a ignorância da humanidade:

1 - "Até a vossa velhice eu sou o mesmo"
Os seres humanos envelhecem, e nessa caminhada experimentam muitas coisas. A raça humana, a coletividade, também já conta milhares de anos.

A Bíblia, em Eclesiastes 12:1-7, traça um painel poético da velhice, convocando o homem a que busque Deus enquanto é moço, enquanto tudo está bem, enquanto tem forças pra escolher o caminho a seguir, antes que venham os maus dias, que não trazem prazer a ninguém.

E a verdade suprema e bela em tudo isso não são as invenções, as conquistas tecnológicas, as vacinas que erradicaram muitas doenças, a ida do homem à Lua, etc.

Por mais importantes que sejam estes acontecimentos o que mais vale, o que é mais belo, é a constatação de que o nosso Deus é e sempre será o mesmo!

Nós vivemos mudando, em todos os sentidos. Nem sempre conseguimos cumprir aquilo que falamos. Até nosso humor se altera, ao sabor de qualquer coisa. Como somos imperfeitos, ousamos chamar essas mudanças, tão imprevisíveis como o vento, de evolução. Mas nosso Pai é perfeito.

De contraste com nossa finitude está a existência eterna de Deus, daquele que tudo sabe desde os promórdios, sua imutabilidade, um ser do qual a Bíblia diz que não existe nem sombra de variação!

O nosso seguro de vida (eterna inclusive) é Deus. O nosso plano de saúde (espiritual inclusive) é o Senhor. As misericórdias dele, diz o profeta, são a causa de não sermos consumidos.

É de suma importância que os governos e a sociedade em geral se preocupem com o bem-estar dos cidadãos, mormente daqueles que dedicaram toda sua vida ao trabalho e agora, na velhice, necessitam de todo o amparo que possam ter. Mas acima de tudo a segurança do homem deve estar naquele que mesmo quando suas pernas não mais os sustentarem, Ele continua o mesmo: forte, poderoso, eterno, pronto a suster.

Este é um conhecimento que nós temos, que precisamos fazer uso dele, e repassarmos a todos que conhecemos.

2 - “e ainda até as cãs eu vos carregarei”
Essa afirmação parece uma redundância da anterior, mas não é. Além de completar a frase, subentende-se que o Senhor nos carrega desde jovens, em todos os nossos momentos e fases, e não nos desamparará quando nossos cabelos ficarem brancos.

Hoje em dia a mídia, em seus raros momentos de lucidez, e ainda que buscando atingir um mercado em franco crescimento (o das pessoas idosas), tenta abrir os olhos das pessoas para a necessidade de cuidar daqueles que perderam a cor de seus cabelos lutando e trabalhando nesta vida. Mas na realidade o que acontece muitas vezes é o desprezo, a internação em abrigos, ou o banco da praça como destino final.

Podemos estender esta realidade também a todos aqueles de alguma forma fragilizados, explorados, sem força para reagir se quedam presos e indefesos.

Nosso Deus nos carrega. Ele nos sustenta. Os momentos de fraqueza, de dúvida, a aproximação da velhice, tudo isso não deve nos assustar.

Mas para isso precisamos deter a nossa auto-suficiência, nossa eventual arrogância, e sermos humildes. É necessário se reconhecer a necessidade de ser carregado, humilhar-se perante o Senhor, e aprender o quanto é bom descansar em Seus braços.


3 -”eu vos criei, e vos levarei”
Quando fala da loucura dos que adoram coisas ou pessoas que não sejam o único Deus, Isaías é muito sábio ao dizer que os homens criam imagens, esculturas, etc., de sua própria arte, e depois as adoram. Nós sabemos que muitas pessoas adoram a outras que viveram em épocas antigas e fizeram o bem. Todos adorando a algo que em sua imaginação louca representa uma divindade, que lhes pode ajudar.

E Isaías vai mais longe, quando diz que esses deuses, feitos pelos próprios adoradores (e hoje o homem os faz através de processos e cerimônias de beatificação), necessitam ser carregados pelos próprios adoradores, onde quer que estes vão e necessitem de suas bênçãos.

Como isso é contemporâneo! Vemos tantos deuses presos em fitas, correntes ao pescoço, imagens afixadas em carros, casas, dentro de carteiras e bolsas! Deuses representados pelo extrato bancário, pelo bisturi do artista plástico em que se transformou o médico, etc. O homem continua ignorante. Despreza o Deus verdadeiro, que pode carregá-lo, e se esfalfa em intermináveis procissões carregando o seu deus, que ele mesmo criou.

Diversamente, o Deus verdadeiro é aquele que nos criou, que nos conhece como obra sua, à Sua imagem e semelhança. E que não carece de nossos braços para se mover, porque está em todos os lugares ao mesmo tempo. E é esse ser maravilhoso que promete nos levar sempre.

E os lugares para onde Ele nos leva são aqueles que a sua Vontade perfeita deseja.

Como diz o Salmo 139, o conhecimento que Deus nos dá é algo sobremodo elevado, que por nós mesmos não poderíamos jamais atingir.


4 - “ sim, eu vos carregarei e vos livrarei”
Imagine uma criança que foi passar a tarde num grande parque. Folgou em todos os brinquedos, mas, ao final do dia, já se pondo o sol, cansada, descobre desesperada que se perdeu dos pais. Não tem o mínimo conhecimento de como encontrá-los, e não sabe o caminho de casa.

O administrador do local tenta consolá-la, a par de tomar as providências para localizar seus pais. Mas não consegue fazer cessar seu choro, e então mais uma vez reitera: “sim, acalme-se! Nós vamos localizar seus pais!”

É isso que o Senhor quer nos dizer. Ao repetir sua promessa, Ele dirime as eventuais dúvidas remanescentes em nosso ser. Somos confortados na certeza de que as nossas dificuldades e fraquezas serão supridas por Ele, e completa com um dado novo: seremos libertos.

Um dos textos mais profundos que a Bíblia apresenta ao confrontar a liberdade com o conhecimento diz: “e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:32). Só o Deus verdadeiro pode acabar com a ignorância humana ao apresentar a verdade única que liberta aquele que crê.

E não se trata de uma liberdade ilusória, aquela que apenas troca os algozes. Não, o livramento é tão profundo que aquele que “está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas se passaram, e eis que tudo se fez novo” (II Cor. 5:17)!

As constituições dos mais diversos países da atualidade pugnam por defender a liberdade. Mas além da mera letra, da prescrição legal, pouco se faz para proporcionar liberdade a todos. Uns são escravos da pobreza, outros da riqueza, e para todos a liberdade plena não passa de um sonho. Alguns se rebelam e passam à libertinagem, à anarquia.

Mas o nosso Deus é grande e poderoso, conhecedor íntimo de todas as coisas em todos os tempos, podendo proporcionar libertação aos cativos do pecado, e esse é um conhecimento maravilhoso que nós temos e devemos repassar a todos.


Através destas poucas linhas procurei demonstrar o quanto temos a ganhar confiando plenamente no cuidado de Deus. Comparadas às providências que tomamos aqui na Terra para nos cuidar, as providências divinas são infinitamente superiores, pois nascem de um ser que é a própria definição do Amor, e tão sábio que conhece todos os nossos dias, mesmo antes de vivermos cada um deles.

Também é necessário observar a diligência de Deus, a persistência dele em cuidar de nós, o fato de nunca nos abandonar à própria sorte. Isso nos deve tornar mais responsáveis na adoração a Ele, na entrega de todo o nosso ser, incondicionalmente, e refletir no nosso amor ao próximo.

Cada um de nós deve ser mais firme e sereno em seus propósitos, propósitos dentro da vontade divina, persistentes nas dificuldades, constantes no amor fraternal, inspirando confiança e dando bom testemunho por onde quer que formos.

A reclamação não deve fazer parte de nossa conversa, pois, como pode reclamar o filho do rei, que tudo tem à sua disposição? Evidentes as lutas, as perseguições, afinal, ser um príncipe, irmão de Cristo, traz uma inveja maligna, já que o inimigo de nossas almas procurará a todo custo nos destruir. Mas não podemos perder de vista que até quando ficarmos velhos, alquebrados e sem forças, Ele nos carregará, porque foi Ele que nos criou; nos levará a águas tranquilas e nos fará repousar, e nos trará livramento eterno.

Que Deus possa falar a seu coração e aumentar seu sossego e paz, e que você aproveite a oportunidade de difundir no seu meio esse conhecimento maravilhoso, oxalá diminuindo a ignorância deste mundo.

Osdilson Amorim Oliveira